terça-feira, 5 de outubro de 2010

Published by Karen at 13:05

Eu acho que eu reclamo do meu pai com meus amigos desde sei lá, que eu tenho opinião própria. Ele sempre fez da minha vida um inferno, uma infelicidade sabe. Eu invejo quem tem um pai com quem possa conversar, a quem possa pedir uma opinião, um colo, uma ajuda. Um pai que dê carinho, que seja legal com os seus amigos, que participe da sua vida de maneira que você se sinta feliz por tê-lo, não com o contrário.

Meu pai é um grosso, ignorante, maluco. Ele acha que sempre tá certo, não sabe ouvir, só sabe reclamar o tempo todo, dar ordens... E quando não basta ele grita até me fazer chorar, fala pra mim que se as coisas não estiverem "do meu gosto" que a porta de casa é a serventia da rua, que é pra eu ir embora... Já perdi a conta de quantas vezes ele falou isso comigo...

E ele pensa o que? Que o que eu mais quero na vida não é ficar longe dele? Meu sonho. Meu sonho ficar sem ser obrigada a ver a cara feia e acusadora dele todo dia, ouvir as merdas que ele fala, as regras infantis que ele impõe...

NUNCA TIVE UMA CONVERSA SAUDÁVEL COM ELE. Nunca. A gente só conversa o necessário, mais que isso, só discussões... Discussões essas que quase sempre eu acabo chorando e desejando cada vez mais ir embora daqui pra nunca mais voltar.

Ele ignora meus amigos, não gosta de nenhum deles, critica tudo e todos... Não gosta que eu saia de casa, e quando eu estou em casa, ele fica reclamando e me mandando fazer as coisas o tempo todo... Até a gente se estranhar. A gente briga quase todos os dias, os dias que a gente não briga, é porque não se vê.

Se vocês soubessem o alívio que é quando ele não está em casa... Quando ele viaja, eu fico até mais leve em saber que vou ficar mais algumas horas sem a presença desagradável dele.

Desagradável, essa é a palavra.

É, eu to com muita raiva agora. Me dá uma revolta tão grande, sabe? Não tive escolha. Deus me fez nascer filha dele, e com a cara dele ainda por cima. Condenada a escutar todo tipo de merda até o dia em que eu puder me sustentar e dizer "tchau, te vejo no natal", pra ele.

Ele é bom pros outros, e péssimo pra mim. Porque isso, meu Deus?

A religião subiu a cabeça dele. Uma pessoa que já era quadrada, agora é quadrada, religiosa, fanática, e militar.

EU MEREÇO.

Penso cada vez mais em dar um jeito e ir morar sozinha. Arrumar um emprego, mesmo que isso me atrapalhe na faculdade. Talvez o preço da paz seja esse.

2 comentários:

Penny Lane disse...

Não sabe como eu te entendo.meu pai é maravilhoso,mas convivo com uma avó que ...sem palavras...aliás, você a descreveu : DESAGRADÁVEL.

mas você vai conseguir sua liberdade .na vida tudo passa, até esse sofrimento.

bjs

Carol disse...

Talvez vocês sejam iguai de mais,e por isso se estranhem tanto! É química! Os iguais se repelem... Sorte com o véio!

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