Eu entrei em choque. As lágrimas involuntariamente encheram meus olhos, e quando dei por mim, estava rabiscando na carteira "eu amo a minha mãe, eu amo a minha mãe, eu amo a minha mãe". Quanto o sinal tocou, eu nem quis saber da nada. Saí correndo da sala, e fui direto pra casa, sem parar no pátio. Quando cheguei em casa, e vi minha mãe na cozinha fazendo almoço, meu coração deu pulos e mais pulos de alegria. Abracei ela tão forte. Falei pra ela do quanto eu a amava, e ela sem entender, disse que me amava também. Eu não queria mais soltar minha mãe. Tive um medo muito grande de perdê-la, quando de repente agora, na minha realidade, mães também morriam.
Me lembro de quando um pouco mais nova, eu amava tanto meus pais, era tão louca por eles, que se me dessem uma bala ou um biscoito, eu não comia. Guardava, porque queria dividir com eles. "Metade pro meu pai, metade pra minha mãe". Achava quase um pecado comer alguma coisa sem poder dar pelo menos um pedacinho a eles.
Hoje, eu mal consigo me convencer de que a minha mãe ainda me ama. Não me lembro qual foi a última vez em que eu dei um abraço no meu pai. De uns 4 anos pra cá, nos tornamos cada vez mais distantes, mais arrogantes, mais orgulhosos, menos... Pais e filha.
As brigas com eles, são tão constantes quanto o sol aparecer no céu ao meio dia. Meu pai odeia meu namorado, e eu o amo, contrariando ele, o que torna da nossa convivência cada vez mais intragável.
Meus pais são muito religiosos, e eu sou amante da liberdade. São brigas pela hora que eu saio, pela hora que eu chego, pelo jeito que meu quarto está mal arrumado, pelos amigos que eu tenho, pelos programas que assisto na tv...
Não existe diálogo. Não me venha com essa de "conversando se entende", porque eu tento conversar com eles desde que eu aprendi a falar, e quando comecei a criar asas, eles simplesmente me ignoram. "Se você fizer do meu jeito, fica tudo bem." E o jeito deles, é me privar dos meus amigos, do meu namorado, da minha liberdade, da minha personalidade. Ah, é tão ruim assim Karen? É pior do que você imagina.
Minha mãe chega do trabalho e mal me olha. Ela está doente. Meu pai só vê em mim defeitos, e não sabe ao menos se eu gosto ou não de café com leite.
Não, eu não sou a melhor filha do mundo. As vezes eu deixo meu quarto bagunçado por preguiça, as vezes eu chego tarde em casa.
Mas sabe, eu os amo. Os amo mais do que a mim mesma. Outro dia, fiquei com tanta raiva, que quis escrever um post dizendo do quanto eu sentia ódio por eles por cada atitude errada ou injusta que eles tem comigo. Mas não tive coragem.
Invejo quem pode chegar em casa, e deitar no colo da mãe. Quem pode abraçar o pai, e contar uma novidade, ou quando se sente triste. De quem divide segredos, sorrisos, ou qualquer tipo de cumplicidade com os pais. Eu não tenho isso. E não é porque eu não quero.
Agora, a unica coisa que eu consigo, é evitá-los. É me poupar de brigar ainda mais. É empurrar com a barriga, pra ver onde é meu limite do suportável. Eu oro a Deus, e peço a ele que não me leve meus pais nunca. Não quero sentir de novo aquilo que senti na quinta série. Mesmo achando que eu já perdi o que eu tinha de mais valioso na vida. Eles.
4 comentários:
ai que triste! poxa, espero q logo vc consiga reconquistar essa relaçao, ou melhor, vcs, pq tem q partir deles tb!beijos e bom fim d semana
Sabe o que é mais estranho nessa coisa da relação pai e filho? É que eles fazem coisas, por puro egoísmo, porque eles não têm medo de nos perder, e dizem que é pro nosso bem!
Não deixe que cortem suas asas, não deixe nada te impedir de ser feliz, mas acima de tudo não deixe de ama-los nem de dizer a eles o quanto os ama.
Eu também passei por isso... uma amiga perdeu a mãe e eu chorei muito, me pondo no local dela. Com a minha mãe não tenho problema algum, mas com meu pai eu já duvido do nosso amor, se tem amor.
É difícil e eu já sofri demais por isso... demais. Parece que estou me adaptando, não sei.
Mas te entendo...
Fica bem!
;*
Por que você me faz chorar?
Adoro você, garotinha!
Beijo
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